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A relação entre pais e filhos e a construção da identidade

Descobrir, construir ou conectar-se com a própria identidade, para uma criança, é ter tempo, espaço e condição para fazer pequenas escolhas, expressar um sentimento, chorar! Ser capaz de perceber o que está sentindo e se posicionar com relação a isso de maneira espontânea, dizendo, pedindo ajuda, ficando bravo, chorando!

Quantas vezes impedimos nossos filhos de ser quem são? Porque definimos um padrão, temos um tempo nosso e queremos que seja de um jeito nosso. E se não for, nos frustramos, nos zangamos, nos alteramos, comparamos (e às vezes parece até que amamos menos). E não fazemos aquilo que é o mais importante, o que primeiro deve acontecer, em qualquer situação: Observar. E depois canalizar. Canalizar a energia própria e autêntica da criança.

O choro e os momentos de raiva e birra são exemplos muito marcantes. Com a melhor das intenções, para aliviar a dor, buscamos sempre distrair a criança, dizendo que não é nada. E a criança para de chorar, mas não porque resolveu sua dor. Tiramos o foco da criança de si mesma quando bloqueamos as suas manifestações sem considera-las, ou quando desviamos sua atenção do momento presente, distraindo-as para que comam ou fiquem quietas enquanto as trocamos ou limpamos, por exemplo.

Temos que conhecer nossos filhos, saber quem são, o que está por trás de suas atitudes e de sua dor.

O choro e a birra são meios de as crianças porem pra fora algo que não estão dando conta. E se bloqueamos, impedimos esse processo de acontecer, de cumprir seu papel. Temos que assisti-la, oferecer apoio e compreensão.

Existem situações difíceis, em que a ação da criança se torna inapropriada e é preciso canalizá-la. Mas isso não exime a necessidade de investigar as causas, e para investigar é preciso observar.

E se formos atentos veremos que tudo tem um porquê. E se formos além veremos que esses porquês estão intimamente relacionados conosco, pais.

 

A Construção da Identidade no Núcleo Familiar

A relação de pais e filhos é de uma profundidade tremenda, visceral. É de corpo e alma. Viemos juntos para evoluir juntos e aprender uns com os outros e as crianças são mestres incríveis.

“De acordo com nossa observação, temos que partir do princípio de que, não raro, as crianças têm os mesmos temas, problemas e tarefas de aprendizado, personificando-os e ilustrando-os também para seus pais, do mesmo modo como os pais  refletem os problemas dos filhos”. Rüdiger Dahlke

Eles testam as nossas capacidades, expõem os nossos pontos fracos, e espelham nossas próprias características. Por que?

 

Os pais como mestres

Essa relação tão estreita ocorre principalmente na 1a infância, quanto menor maior é o vínculo.

As crianças pequenas vivem muito próximas de seus pais e, naturalmente, com o tempo vão se tornando mais independentes, criando sua própria individualidade. Mas no início ela é uma mistura dos pais e de tudo que eles representam. E é nesse núcleo familiar mais estreito que vão se formar todas as bases da identidade dessa criança.

Tem-se a ilusão de que quando são bem pequenas, as crianças não entendem, não vão lembrar  e por isso não se tem o devido cuidado com as atitudes e palavras diante delas. Porém é justamente o contrário. Por não terem o aspecto racional desenvolvido, as crianças absorvem tudo de maneira direta e inconsciente, sem os filtros do pensamento elaborado.

Elas recebem os nossos imprintings. As posturas e atitudes dos seus pais e dos outros que estão próximos ficam impressas passam a ser marcas registradas em suas personalidades futuras. Muitos autores falam que isso começa já na gestação, ou ainda antes.

Quanto mais cedo, mais intenso é o processo. E nesse período eles se tornam um espelho de nós mesmos.

Não precisamos nos sentir culpados por isso, mas sim responsáveis. Embora se trate de um processo inconsciente, temos como tomar consciência, observar, compreender… e esse é o grande passo em direção à cura e à superação.

 

Os filhos como mestres

Muitas vezes o que mais nos perturba em algumas atitudes de nossos filhos é justamente algo que está em nós, e de que não somos conscientes.

Ou eles exigem de nós uma atitude da qual até então temos sido incapazes.

“Ninguém, nem mesmo o melhor psicoterapeuta, tem mais facilidade e habilidade para tocar em nossas feridas do que nossos próprios filhos. E, quando o fazem, deveríamos ser-lhes gratos – contanto que queiramos aprender e evoluir”. Rüdiger Dahlke

 

Aprendendo e crescendo juntos

Sim, temos um peso e uma responsabilidade enorme na construção dessa base da identidade das crianças. Mas se aceitamos de coração aberto essa missão e nos determinamos a fazer bem feito, permitimos que elas extraiam o melhor de nós. Afinal, que motivação maior poderíamos ter para ser melhores, se não a responsabilidade de que isso influenciará diretamente na personalidade de nossos filhos?

 

Quando alguma coisa acontece com nossos filhos, a grande pergunta é:

“Que lição podemos tirar disso juntos?”.

“Quando os pais levam a própria vida de maneira honesta, sincera e com responsabilidade, geralmente os filhos refletem sua autoestima em seu modo de ser individual e corajoso. Dificilmente ficam agarrados à saia da mãe; ao contrário, conquistam o mundo de maneira própria e original”. Rüdiger Dahlke

 

Depende de nós, adultos. É nosso o primeiro passo. Nós temos que tomar as rédeas… Primeiro da nossa própria identidade, para ser essa inspiração e esse imprinting positivo na vida de nossos filhos.

“Pais que aceitam e controlam a vida com todos os seus desafios e todas as suas tarefas podem oferecer mais liberdade e oportunidade de desenvolvimento aos filhos”. Rüdiger Dahlke

 

 

Referência das citações:
A DOENÇA COMO LINGUAGEM DA ALMA NA CRIANÇA, de Rüdiger Dahlke, Editora Cultrix

http://www.livrariaesoterica.com.br/media/product/de0/a-doenca-como-linguagem-da-alma-na-crianca-116.jpg

 

Natália Ramon
Diretora Geral da Vila Sofia